Alimentar um supercomputador com artigos jornalísticos pode ajudar na previsão de eventos internacionais, segundo um estudo feito nos Estados Unidos.
A pesquisa se baseou em milhões de artigos e detectou uma piora do sentimento geral das nações antes dos recentes levantes no Egito e na Líbia.
Embora a análise tenha sido feita retrospectivamente, cientistas dizem que o mesmo processo pode ser usado para antecipar conflitos que ainda estejam para acontecer.
O sistema também detectou dicas da localização do líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, morto em maio deste ano.
Kalev Leetaru, do Instituto para Computação na Área de Humanas, Artes e Ciências Sociais da Universidade do Illinois divulgou a pesquisa na publicação científica First Monday.
A informação usada no estudo foi tirada rede uma série de fontes que analisam a imprensa pelo mundo, como o Open Source Centre (mantido pelo governo americano) e o serviço BBC Monitoring.
Também foram analisados sites de notícias, como o arquivo digitalizado do New York Times desde 1945.
No total, foram estudados mais de 100 milhões de artigos.
Dois tipos
As reportagens foram analisadas por dois tipos básicos de informações: sentimento (se ela representava notícias boas ou ruins) e localização (onde eles aconteciam e a localização de outros participantes no artigo).
A detecção de sentimento buscou palavras como "terrível", "horrível" e "agradável".
No quesito localização, o estudo pegou citações como "Cairo" e as converteu em coordenadas em um mapa.
A análise de elementos das reportagens criou uma rede com mais de 100 trilhões de interconexões.
Os dados foram colocados em um supercomputador SGI Altix, conhecido como Nautilus, na Universidade do Tennessee.
A máquina tem um poder de processamento de 8.2 teraflops (ou trilhões de operações de ponto flutuante por segundo).
Baseado em perguntas específicas, o Nautilus gerou gráficos para diferentes países que tiveram suas "primaveras árabes".
Em cada caso, os resultados agregados de milhares de reportagens mostrou uma notável queda no sentimento geral das nações antes dos levantes, tanto dentro do país como em reportagens do exterior.
No caso egípcio, o tom das coberturas de imprensa antes da queda do presidente Hosni Mubarak chegou a um ponto baixo só visto duas vezes nos 30 anos anteriores, antes do bombardeio americano de tropas iraquianas em 1991 e antes da invasão americana do Iraque em 2003.